O Teste de Bechdel: Detector de machismo literário?

Texto de Gabriel Lima

O teste de Bechdel, analisa se um filme ou uma obra literária, possui um dialogo entre duas mulheres sem necessariamente envolver um homem. O teste bastante usado na internet em comunidades e sites que defendem a causa das mulheres, quando bem aplicado, pode ser de grande utilidade para a discussão sobre a igualdade de gênero. No entanto, algumas criticas devem ser aplicadas quanto ao teste.

1° Um filme pode ter elementos de objetificação fe
minina, e mesmo assim passar no teste, contanto que duas mulheres falem sobre algo além de homens.

2° O teste também desconsidera filmes que se passam em períodos antigos, como filmes medievais.

3° O filme não leva em conta filmes com somente personagens femininas ou masculinas.

O fato é que ainda existe muita objetificação das mulheres em filmes, tanto estrangeiros quanto nacionais. Filmes estes, quase sempre do gênero ação, voltados para o publico masculino. Vemos essa questão da objetificação bastante presente também em videogames.

O teste é valido quando aplicado levando em consideração os 3 pontos citados acima.

Façam suas analises!


Estratigrafia Cultural: A Relação entre Culturas

A cerca de 515 anos, o território que hoje compõem o Brasil, não havia sofrido a influencia da cultura europeia. Após séculos de migrações, domínio europeu e influencia de ideologias e culturas do velho continente, a cultura pré-colonial, hoje se encontra "marginalizada" e diluída por vezes imperceptivelmente na cultura brasileira.

O termo estratigrafia emprestado da Arqueologia e da Antropologia, lida com a questão dos estratos de solo, ou camadas, que contenham objetos criados por seres humanos. Podemos utilizar esse termo para analisar algo não material? Como a linguagem, ou a cosmogonia?  A resposta é sim!

Tomemos como exemplo a própria cultura brasileira, dominada hoje pela influencia ocidental, e europeia, mas que mesmo assim possui uma grande riqueza cultural advinda de povos nativos, e de escravos africanos trazidos para trabalhar nas plantações ao longo do litoral. Vamos analisar primeiramente uma questão que nos acompanha toda nossa vida, e nos permite relacionar com outros seres humanos, e com mundo: A linguagem.

Brasileires? 

Basta andar pelo centro de São Paulo, uma cidade que possui o nome de um Santo da Igreja Católica Apostólica Romana., para perceber a grande confluência de linguás que se construirão ao longo de séculos de formação do território que vivemos hoje. Imaginemos que você acorde dentro do metro, e as portas se abrem na mais movimentada estação de Metro da América Latina, a estação da Sé, no centro da cidade. Ao sair da estação, você provavelmente vai ouvir várias linguás sendo faladas na cidade, em maior quantidade a linguá portuguesa, também o espanhol, o crioulo ou as linguás africanas de imigrantes haitianos e africanos respectivamente. Em menor quantidade, ouviríamos o inglês, o francês e outras linguás europeias, provavelmente de ingênuos turistas com suas enormes câmeras fotográficas penduradas no pescoço, em uma cidade com altas taxas de roubo.

Existem na cidade vários locais com nomes ainda presentes, de origem Tupi-guarani, como Iguatemi, Itaquera, Tietê, Anhanguera entre muitos outros. Com a atual onde de imigração boliviana e africana, em tempos vindouros provavelmente essas culturas serão também diluídas em nosso meio social.

Neo-pentecostalismo? Ou cristianismo xamanístico?

Na religião também ocorre essa convergência de culturas distintas, um grande exemplo disso seriam as igrejas Neo-pentecostais, tão comuns atualmente no Brasil. Pare e veja um culto, ou assista um video na internet, e tente reconhecer algumas questões alienígenas ao cristianismo europeu, católico ou protestante. Danças quase alucinógenas, e que incutem um espirito ritualístico aos cultos, com pastores usando "poderes de cura" ou objetos sendo utilizados para fins religiosos. Todos esses comportamentos parecem advir de culturas nativas, e de culturas africanas. Como boa parte da população que frequenta essas igrejas é de origem pobre, e com grande ancestralidade indígena e africana, seus ritos sobreviveram na religião em que foram integrados, a religião dominante, o cristianismo.

Cultura dominante, cultura dominada e culturas emergentes

Com a colonização europeia, ideias e culturas do velho continente migraram para o novo mundo assim como os indivíduos, alias, a cultura veio com os indivíduos. Conforme a cultura dominante se tornou a cultura europeia, a mesma se tornou então, a camada mais expressiva de nosso estrato cultural. A linguá, a religião, o direito. e as noções de mundo ou cosmogonia, advêm do velho continente. As culturas dominadas, ou pré-existentes como a cultura indígena, subsiste, e interage com a nova cultura, sofrendo influencias e influenciado a camada mais alta. Culturas emergentes, são geralmente culturas estrangeiras que não oferecem inicialmente uma ameaça ao Establishment, no entanto, pode no futuro se tornar tanto uma cultura dominada ou uma cultura dominante. Um exemplo grande, seria a imigração germânica para as bordas do império romano, a cultura dominante latina, influenciou em maior escala a cultura germânica, do que a cultura germânica influenciou a cultura latina, mesmo que as migrações tenham causado o fim da organização politica imperial.

Para mais informações, deixem comentários!




Texto de Gabriel Lima

No período antigo, filósofos e pensadores já se indagavam sobre a possibilidade da existência de seres vivos em outros planetas. Muitos postularam teorias acerca da composição ou possível forma desses seres, mas, o que diferenciava essa crença arcaica em seres extraterrestres da de hoje em dia, é a ausência de pensamento cientifico. Os nórdicos, por exemplo, criam na existência de vários "mundos" habitados por raças diferentes (elfos, elfos negros e etc). Essa crença em mundos misticos paralelos se distancia da atual crença e do atual conjunto de crenças que se originaram à partir da ideia cientifica sobre vida extraterrestre. 

Como esse texto se direciona à uma análise mitológica e folclórica acerca da vida extraterrestre, nos focaremos apenas nos segmentos culturais e literários que abordam essa temática. Portanto fica claro que não é nossa intenção defender ou criticar a existência ou a inexistência de formas de vida alienígenas.

"UMA HISTÓRIA VERDADEIRA" DE LUCIANO SAMÓSATA


Podemos creditar a obra de Luciano como uma das mais antigas obras de ficção cientifica, Em seu livro o mesmo conta um episodio, onde seu barco teria sido levado até a Lua por uma fonte, e lá encontrou habitantes que estavam em guerra contra o povo do Sol. Essas duas populações alienígenas estavam em guerra devido a tentativa de colonização da estrela vespertina, ou seja , o planeta Vênus. 

Essa história definitivamente não verdadeira de Samósata, possui fortes influencias de seu período histórico. O mesmo viveu no século II d.C, período em que o império romano disputava territórios com o império Persa com cada vez mais frequência. O texto de Luciano carrega muitas bizarrices em si, e vale uma leitura para quem se interessar.


VISÕES MODERNAS SOBRE A VIDA EXTRATERRESTRE

Durante o período moderno, novas ideias surgiram nos mais diversos campos, desde o pensamento filosófico até a Química. Com a adoção do modelo Heliocêntrico e os estudos mais complexos acerca do sistema solar, cientistas, pesquisadores e literários como Kepler e   Bernard le Bovier de Fontenelle exploraram o imaginário desse novo ambiente, e o enriqueceram com criaturas e sociedades distintas. No livro Somnium de Kepler, seu protagonista e transportado para à Lua por demônios. Mesmo com o tom fantasioso da História, a apresentação das criaturas lá existentes e a geografia do local, são genuinamente pertencentes ao gênero da ficção cientifica.
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Outros autores modernos que abordaram a possibilidade da existência de formas de vida extraterrestres em seus trabalhos foram; Henry More e John Milton. Esses autores influenciados por seu período histórico e as ideias circulantes no período, imaginavam um universo povoado de seres quase misticos em essência, se assemelhando muitas vezes a populações africanas ou do extremo Oriente.


INICIO DO SÉCULO XX

Na primeira metade do século XX, devido às novas formas de comunicação uma enorme quantidade de revistas, livros, filmes e radionovelas seriam produzidas com a temática extraterrestre. Essas produções muito procuradas pelo publico urbano e alfabetizado, geraria uma verdadeira febre cultural. Entre os principais precursores desse movimento podemos citar, H.G Wells, Olaf Stapledon e Edgar Rice Burroughs. Primeiramente esses autores se utilizavam de figuras antropoformes para popular seus planetas fictícios, com pequenas diferenças entre si. Logo essa ideia cairia por terra devido a impossibilidade de uma evolução paralela que acarretasse em formas de vida tão similares, no entanto essa ideia continua ainda em uso, mesmo em filmes como Alien e Avatar, os alienígenas são em essência antropoformes. 

Com advento da TV e do cinema popular Hollywoodiano, uma centenas de filmes de ficção cientifica seriam lançados à cada década e influenciariam aos poucos o pensamento dos jovens. A exploração estadunidense e soviética no espaço levaria à uma corrida não só politica, mas também ideológica. Os russos utilizavam a ideia de progresso da causa comunista, e os americanos se utilizavam do cinema e de sua cultura de massa para inculcar na mente da população noções sobre a necessidade da exploração espacial (logo aumento de impostos e verba da NASA) e a existência de civilizações alienígenas potencialmente amigáveis ou agressivas. Filmes como Star Wars e Star Trek, influenciaram jovens que hoje são cientistas e pesquisadores, e ajudam na busca de evidencias sobre a existência de formas de vida alienígenas. 





O MISTERIOSO DESCONHECIDO


Durante a idade da pedra, os humanos acreditavam que as florestas e as cavernas eram habitadas por seres e espíritos fantásticos, o desconhecido, o caótico logo ganhava novas cores e uma ordem estabelecida com essas criaturas. Essas criaturas imaginativas e fantasiosas, serviam como um alerta e ao mesmo tempo como um mecanismo de aproximação com esses territórios desconhecidos. Logo em nossa época onde boa parte dos seres humanos vivem em cidades e se distanciam cada vez mais do meio natural, nosso olhar imaginativo e misterioso se volta para cima. Inúmeras religiões e cultos modernos, mesclam elementos de religiões antigas, com elementos de ficção cientifica, entre elas podemos citar a mais conhecida pelo publico, a Cientologia americana. Essas religiões e esses cultos, são produtos da época em que vivemos, onde o mistério se deslocou das florestas e das cavernas, para a imensidão do espaço acima de nós. O fato é que ainda não existe nenhuma comprovação cientifica acerca da existência de vida extraterrestre, mas os cientistas estão cada vez mais próximos. A Exobiologia vem estudando como moléculas de Carbono complexas, podem se formar em nebulosas e nuvens de gases, produzidas por Supernovas.

Os inúmeros casos veiculados pela mídia de supostos raptos de pessoas por "aliens", também não podem ser levados à serio, já que não existem indícios para tanto. Ainda, muitos dos que clamam terem sido abduzidos, se utilizam da fama gerada por noticias sensacionalistas, para vender livros e aparecer em programas de TV. O fato é que as histórias que hoje contamos sobre o espaço, são novas formas de mitologia e lendas, com um toque de modernidade e tecnologia. Assim como Ulisses viajou pelo Mar Egeu por dez anos tentando achar o caminho de casa, Luke Skywalker, Shepard, e outros tantos personagens fictícios desbravam o desconhecido moderno, o espaço.



















Histórias de Fantasia são Racialistas? Parte Final - "Disney: O Mundo Encantado do Racismo"
"Canção do Sul" de 1946, lançado somente em VHS, e banido dos cinemas devido ao seus temas racistas
TEXTO DE GABRIEL LIMA

Nas duas ultimas partes dessa série, analisamos histórias de fantasia consideradas adultas. Mesmo "O Senhor dos Anéis" se caracterizando como uma história livre de público, devido a sua complexidade o mesmo é mais apreciado por uma audiência adulta. Mas e quanto as histórias voltada para as crianças? Elas estimulam o pensamento racista?

Hoje em dias as Histórias de fantasia voltadas para crianças tem se concentrado nos filmes de animação, principalmente das duas gigantes do ramo, Disney e Dreamworks. Ambas americanas, destilam ideologias estadunidenses para o mundo todo, focando o publico infantil. A mais antiga delas, a Disney tem um histórico obscuro quanto ao racismo. Várias produções da empresa, principalmente pré década de 50, possuíam temas e narrativas racistas com personagens estereotipados. Embaixo listamos alguns desses

CANNIBAL CAPERS, 1933 (DISNEY)



Neste curta animado da Disney, nativos africanos são demonstrados como selvagens e canibais. A sua constituição física também degradante, da uma impressão de "deformação" e exacerbação de determinadas características, como as barrigas grandes, e os beiços desproporcionais. Esse desenho foi feito em uma época onde as ideias racialistas ainda eram muito fortes. Nos Estados Unidos ainda se mantinha o regime de segregação aos negros no sul e em vários outros estados. Em países da Europa cresciam cada vez mais as ideologias raciais, não somente na Alemanha, como alguns acham.

FANTASIA 1940



No filme Fantasia, a Disney se deu ao trabalho de criar uma raça de Centauros negros com esteriótipos físicos, que serviam os Centauros brancos. Precisa mais do que isso?

DUMBO 1941



Os corvos no filme Dumbo foram propositalmente feitos para lembrarem afro-americanos, no entanto, de forma estereotipada e degradante.

ALADDIN 1992

  
Lançado no contexto da guerra do Golfo Pérsico, Aladdin mostra as populações árabes como salvagens e bárbaros. Em uma das muitas canções do filme, é dita a frase "Where they cut off your ear if they don’t like your face./It’s barbaric, but hey./It’s home” (Onde eles cortam sua orelha se eles não gostarem da sua cara./ É bárbaro, mas ei. É nosso lar).

O LIVRO DA SELVA 1967



No filme O Livro da Selva, a empresa atingiu um grau de escrotidão inimaginável ao demonstrar os macacos no filme, com claros esteriótipos negros, desde o comportamento, até a aparência.

Esses são apenas alguns dos muitos exemplos que podemos dar em relação a racismo em produções infantis de fantasia. Outros produções de outras empresas, e outros países, dispersam ainda esteriótipos para as populações. No entanto, quando essas ideologias são passadas para crianças, o assunto é mais complicado. Incapazes de perceber a intenção por trás de tal imagens, os pequenos apenas absorvem inconscientemente o que está sendo passado. Nada aqui de baboseira sobre mensagens subliminares, que se tornaram famosas na internet, o racismo nessas produções é algo tangível e execrável.

QUER SABER MAIS?
















TEXTO DE GABRIEL LIMA

Quantas vezes esse tema já não foi abordado na literatura, no cinema e nos videogames. Podemos citar aqui alguns exemplos bem conhecidos; "O Exterminador do Futuro", "Matrix", "Eu, Robo", "Mass Effect" e entre muitos outros. Todas essas histórias abordam uma possível guerra entre orgânicos e mecânicos, humanos e maquinas. Mas de onde emergiu esse pensamento?

GOLEMS E GIGANTES DE BARRO


Muitos mitos antigos já mencionavam criaturas inorgânicas criadas pelo homem ou pelos deuses para servi-los em suas necessidades. Essas criaturas muitas vezes feitas de barro, bronze ou ferro, eram movidas por uma alma, colocada em seus corpos através de magia.  No Talmud, um texto Judaico escrito entre 200 d.C e 500 d.C, Adão teria sido inicialmente criado como um Golem. Todos os Golens nas tradições judaicas, eram concebidos através do barro e do material divino, e não possuíam o dom da fala.

Durante anos o misticismo judaico estudou os textos da Torá ou do Talmud, em busca de uma forma de se criar um Golem. Por volta de 1630 e 1650, um rabino chamado Eliyahu, clamava ter criado um Golem. Segue abaixo o relato de um cabalista polonês contemporâneo a Eliyahu:

E eu ouvi, em um certo e explicito tom, de várias personalidades respeitaveis que um homen vivendo proximo ao nosso tempo, o qual o nome  é R. Eliyahu, o mestre do nome, que fez uma criatura à partir da matéria e forma, e aquilo realizou trabalhos pesados para ele, por um longo periodo, e o nome Emet estava pendurado em seu pescoço, até que ele finalmente o removeu por alguma razão o nome de seu pescoço e virou pó.(Idel, Moshe (1990)
O modo como o golem e apresentado, servindo ao seu mestre em trabalhos pesados, se assemelha em muito ao modo como vemos os robôs hoje em dia. No episódio "O Segundo Renascer: Parte 1 de  "Animatrix", os robôs eram utilizados na construção e em atividades periculosas. No game "Mass Effect", os Geth, foram criados pela raça alienígena dos "Quarians" para ajuda-los em tarefas árduas.

Durante o periodo moderno, vários outros cientistas, engenheiros e mecânicos, tentariam criar um ser artificial, utilizando a tecnologia de sua época. Essa pratica claramente influenciada por mitos antigos e a propria noção da raça humana como criação "à partir do barro", segundo a tradição judaico-cristã, influenciaria por anos o pensamento literário.

O MONSTRO DE MARY SHELLEY

Mary Shelley
Em 1818 seria publicado o livro "Frankenstein; or, The Modern Prometheus", da escritora inglesa Mary Shelley. Em seu livro uma criatura é concebida através de métodos antiéticos e grotescos, pelo jovem estudante de ciência Victor Frankenstein. O livro repleto de temas filosóficos, no tocante a criação e o relacionamento da criatura com seu criador, influenciou e continua à influenciar a literatura. Mary em um discurso certa vez, comparou o monstro de Frankenstein com Adão, citando uma passagem do livro "Paraíso Perdido" de John Milton.

E eu requisitei à ti, criador, que do meu barro
Me moldar homen? Eu solicitei a ti
Da escuridão tu me promovestes.

O conflito inerente entre criatura e criador, estava em grande evidencia no trabalho de Mary Shelley, e viria a influenciar as histórias sobre os seres mecânicos que tanto habitam nosso imaginário.

O PRIMEIRO "ROBÔ"

O termo robô foi utilizado pela primeira vez para denotar um automata fictício, pelo escritor tcheco Karel Capek. A palavra Robõ vem do idioma tcheco e significa "servo".

O robô de Eric


Um dos primeiros robôs humanoides a serem apresentados, foi o robô de Eric, na exibição anual da Sociedade de Engenheiros de Londres. O robô consistia de um corpo solido de alumínio, e onze eletroímãs movidos por um motor de 12 volts, que moviam sua cabeça e seus braços, por controle remoto. 

Dai para frente a industria iria se apropriar das invenções dos engenheiros, e conceberiam centenas de maquinas programadas, que construiriam carros e realizariam funções diversas. O avanço das tecnologias de informação, levariam a criação de computadores, baseados na "Maquina de Turing", e novas tentativas de criar um robô com inteligencia artificial surgiriam, influenciando os escritos de Isaac Asimov, que por sua vez influenciaria toda uma geração de escritores de ficção cientifica.

OS ROBÔS DE HOLLYWOOD

A literatura possui um poder magnifico, ao moldar as ideologias e os pensamentos de uma época, e a noção de uma maquina se rebelando contra os seres humanos não escapa disso. Durante a segunda metade do século XX, as produções cinematográficas hollywoodianas iriam inundar o mundo com o pensamento americano. Várias produções, influenciadas pela literatura, demonstravam robôs conscientes, e muitas vezes rebeldes. Para não prolongar nossa discussão, citaremos aqui talvez o exemplo mais conhecido, o computador de bordo da Discovery no filme "2001 - Uma Odisseia no Espaço", o famoso HAL 9000.

Ao se rebelar contra os tripulantes da espaçonave, HAL age como um humano, tentando desesperadamente se salvar de um possível desligamento por mal funcionamento. HAL, ao olhar de Kubrick, é uma alegoria do avanço cientifico e da mecanização da vida

Após o impacto do filme de Stanley Kubrick, Hollywood contrairia uma "febre robótica" e centenas de filmes abordando tema sairiam, alguns ridículos e extremamente "toscos" em essência, e outros que levantaram questões significativas e entreteram as multidões, como o T -800 de "O Exterminador do Futuro". Entre outros podemos citar também Blade Runner.

HUMANOS = VÍRUS - ROBÔS = CURA

Durante os últimos quarenta, cinquenta anos novas visões acerca da humanidade tem sido debatidas em constância. Uma visão menos humanista e mais ecológica, tem ganhando a atenção de vários pensadores. A antiga noção de que a raça humana era "detentora" do planeta e de suas formas de vida, vem caindo por terra. A causa principal e a degradação do meio ambiente, causada pelo avanço industrial, que causa, além de outros resultados, o aquecimento global. Essas visões moldariam o pensamento de vários literários e jovens escritores, que deixariam de "endeusar" a especie humana, e começariam a demonstra-la como algo falível e potencialmente destrutivo.

T-800 e John Connor

O filme de James Cameron "O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final", aborda essa questão, mostrando que ao contrário do que se pensava, foram os seres humanos em sua cobiça que iniciaram sua própria destruição. No filme o personagem de Arnold Schwarznegger, um robô reprogramado e enviado para o passado para salvar o líder da resistência humana John Connor, passa por um processo de humanização, aprendendo a "amar" e a proteger. No final do filme, em uma fala profética a mãe de Connor, Sarah comenta que "Se uma maquina pode aprender a amar, talvez um dia nos conseguiremos fazer o mesmo".

No filme "Matrix", o antagonista Smith, um agente das maquinas, faz um discurso bastante sombrio sobre a humanidade. Smith compara os seres humanos à um vírus, que migra de corpo em corpo os destruindo. Essa visão bastante influenciada pelo Zeitgeist (espirito da época), onde a humanidade, falível e volátil, acabaria por se destruir. 

O MITO

Como podemos ver através dessa análise, o mito de uma possível "revolução das maquinas" tem mais a ver com nós mesmos, do que com simples robôs. A ideia de que continuaremos avançando eternamente e um dia nos tornaremos "deuses" ao ponto de realizarmos o ato da criação, e o ponto inicial de todas as tentativas de se criar uma inteligencia artificial. Em nossa busca por avanço tecnológico, destruímos boa parte do planeta e somente agora estamos nos dando conta disso. Uma maquina em sua infinita sabedoria e capacidade de pensar, logo através de uma equação simples e rápida decidiria que os seres humanos seriam incapazes de viver em comunhão com o planeta e consigo mesmos, e os destruiria. Mas tal maquina ainda não existe, e a noção de que somos seres destruidores e um mal para o planeta, advém de nossas próprias mentes. "Ó trágico momento, em que nos tornamos os vilões de nossas próprias histórias". Que esse momento sirva de reflexão.

"OH DAISY!"
















Os seres "invisíveis" - Uma dissertação sobre a condição do ser "mendigo" (Alerta de Sarcasmo)

Texto de Bruno Fernandes

Perdoai vos que vem aqui para ler um texto bonito e fofo! Aqui redijo a crítica, de um modo real e não belo! Lhes trago um fato perceptível por todos. Seja de partidos políticos diferentes, religião ou qualquer outra coisa que separa os humanos do que eles realmente são: humanos. Vos mostro realidades vistas dos meus olhos, se quiserem podem me criticar, afinal todo o crítico merece a crítica, por mais nefasta que seja. Portanto, sem mais delongas, vou acabar essa introdução do fato e ir direto para o desenvolvimento do fato. Aqui faço minha dissertação sobre a pobreza, o mendigo, o miserável.


"ESTRANHAS" CRIATURAS CHAMADAS MENDIGOS


Todo mundo já deve ter visto em seu condomínio de luxo ou em sua simplória casa algum ser de outro mundo que vive ali na rua. Vagando de lixeira em lixeira atrás de comida para garantir sua sobrevivência e a sobrevivência de seus descendentes. Ser associado ao ruim, maligno, de má origem. Muitas vezes usado como sinais divinos de punição. Algo como: olhe ali! Aquele sujeito em outra vida era um cidadão do mal. Assim Deus o castigou, transformando ele em um mendigo, ser que não possuí nada, sem alimento, nem moradia e nem dignidade. Visto por todos como algo perverso, um perigo. “Precisamos evitar mendigos”. 

Ó criatura sofrível! Como pode existir tal criatura no mundo perfeito de Deus? Normalmente essa monstruosidade é negra, de cabelos e barba compridos com um aspecto grotesco. Usa calças jeans esfarrapadas e vive atrapalhando as pessoas pedindo esmola. “Não dê esmola para mendigos! Isso incentiva eles a serem mais vagabundos ainda!”. Podem estar acompanhados com uma cachaça na mão e um cigarro na ponta dos dedos. Alguns são coletores de latinha e outros apenas vivem na sarjeta, como um animal moribundo. As pessoas passam por eles. Ignorando-os, assumindo que eles devem se esforçar para estar ali, na posição de engravatado escravo do patrão ganhando o famoso dinheiro! Ó glória ao dinheiro de Deus! Ó doce dinheiro! Ó amor por esse desgraçado capital!

Primeiro, devemos analisar o processo de como um mendigo "vira" mendigo. Associo dois fatores que contribuem para a condição do ser "mendigo".  

Vou associar primeiro, o processo de mendigos virar mendigos à catástrofe, o cataclismo, a tragédia. Aqui exemplifico a pessoa de baixa renda trabalhadora em uma indústria. Ela pode perder o emprego, não conseguir mais ter capital e falir. Não conseguindo outro emprego e ninguém ajudando ela, a pessoa acaba por não perder a casa (alugada, provavelmente), a luz, água e materiais. Começando a viver na rua e o depois, todos já sabem. Posso por aqui também a pessoa que sofre um evento ambiental em sua humilde moradia. Vamos supor que um terremoto ocorre em determinada área. Sua casa é destruída e todos os seus objetos vão por água abaixo. Você não possui nenhuma renda e nenhuma ajuda, nenhuma oportunidade e nenhuma esperança. Logo você irá começar a morar na rua e lutar pela existência. Que trágico! Mas é possível. É assim que é.


Ora, se existe mendigos é porque existe mendigos pais. Esse fator que eu percebi é bastante simples e não vou me delongar muito para não fazer essa dissertação muito longa. Basicamente, são mendigos pais que geram descendentes em seu meio, transferindo sua pobreza para o filho. Mendigos não possuem renda, não possuem oportunidades e não possuem escolaridade. Um filho de um mendigo, na falta de tudo isso, não terá acesso ao conhecimento. Com isso, ele será vítima do acaso e acabará por se tornar mendigo, herança do pai que não conseguiu nenhuma chance de contornar e melhorar a situação. Pobre criança, posta no mundo para sofrer. Quantas pessoas já perdemos por causa da pobreza extrema? Quantos gênios estão catando latinhas? (não desmerecendo o trabalho deles, afinal, catar latinhas é trabalho e ajuda no meio-ambiente).

Ó doce ignorância que habitais os vossos corações! Ó esplendida ignorância que deixa pessoas passando por necessidades! Concluo aqui, o que são mendigos e os efeitos que causam esse processo. Mas a nossa fenomenal ignorância, falta de conhecimento nos faz julgar essas PESSOAS (sim, mendigos são pessoas) como algo mau, ruim e perverso. Culpo aqui a ganancia humana e a difamação aos outros que não possuem renda! A sociedade nos faz pensar que eles são algo ruim, que são vagabundos, porém são pessoas que não tem oportunidades. Falha aquele que pensa na divina meritocracia. “Ele é mendigo porque quer, não devo dar meu dinheiro!”“Ele não merece, passa ai o dia inteiro, se eu dar meu dinheiro para ele, estarei incentivando a vagabundice”. Mas que esbelto pensamento seu acéfalo. Que lindo!

Ao diabo com os valores morais de atualmente! Não passam de obras dos poderosos para tirar vantagens dos outros! O que é bom é útil e o que é mal deve ser combatido. Ao diabo com a hipocrisia de que não se deve dar dinheiro para eles, que nós iremos alimentar a vagabundice deles. Em primeiro lugar, não iremos alimentar nada, a não ser a fome deles! Eles não têm renda, não tem escolaridade, não tem nada, como espera-se que ele se encaixe em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo? Como se espera que eles possuam chances de entrar em algum lugar assim? 

Mendigos nunca terão oportunidades. Ficarão ali, jogados na sarjeta e gerando mendigos por herança. Não vão conseguir sobreviver, acabarão morrendo. As pessoas pensam que mendigos são seres de outro mundo, mas na verdade são pessoas como eu, você, sua família, minha família e meu professor. São humanos! Por que não merecem nossas moedinhas? Três reais podem não significar nada para a gente mas muito para eles! Qual o problema de dar dinheiro? Tudo isso não passa de uma falsa moral ética-cristã imposta pela sociedade, que mendigos são ruins e não se deve dar dinheiro para eles, pois assim estaremos contribuindo para a miséria deles. Mas que calúnia! Blasfêmia! Mais uma vez, glorificamos a ignorância!





Histórias de Fantasia são racialistas? PARTE 2 - A influencia do pós moderno na fantasia
Deanerys Targaryen, heroína feminina da serie "Game of Thrones" da HBO, baseado na obra de George R.R Martin
Em nosso ultimo post, analisamos as ideias raciais presentes na literatura e no legendário de Tolkin. Dessa vez, analisaremos as obras e narrativas de alta fantasia que permeiam nosso mundo moderno. Vamos analisar como as ideias modernas de igualdade, respeito as minorias e desprezo a segregação, coexistem com elementos fantásticos criados por Tolkien e outros escritores. Vamos começar por um dos meus RPG´s favoritos, "The Elder Scrools V - Skyrim".

SKYRIM

Raças do game Skyrim
Em Skyrim vemos um numero ainda maior de raças, do que nas obras de Tolkien. Só os "humanos" possuem quatro divisões - Nords, Imperiais, Breton e Redguard - que apesar de serem semelhantes, possuem diferenças gritantes. Entre si, os membros de um grupo não se diferencial muito, e Skyrim se utiliza de uma ideia de essencialismo racial, para criar suas populações. Por exemplo, todos os "nords" gostam de lutar, todos os Redguards são morenos, todos os Bretons são aparentemente intelectualizados e todos os imperiais parecem ter um viés para o comércio. Ademais, as raças de Tamriel (nome do continente onde se passa a serie) possuem características sociais, e práticas próprias. Essas habilidades, ou pontos fracos, sociais ou físicos, denotam uma diferença quase "biológica" para as raças humanas em Tamriel, mantendo de certo modo, as ideias racialistas do inicio do século XX. Vamos analisar duas dessas raças humanas; nords e redguards.

NORDS

Nords
Segundo a Wikia da serie Elder Scrools, os nords "possuem resistência ao frio", e também a habilidade de realizar um grito de guerra, que espanta os inimigos. Os "nords", claramente são baseados nas populações nórdicas e germânicas do norte da Europa, principalmente em períodos medievais, baseados em relatos romanos e gregos. A ideia racialista, de que os nórdicos e germânicos, seriam uma raça guerreira por natureza, influenciou o Terceiro Reich alemão. Por mais que os jogos da serie não visem espalhar esse esteriótipo racial, a mesma é influenciada por ele.

REDGUARD

Redguards
Os redguards de T.E.S, são explicitamente baseados nos povos semíticos e africanos. Segundo a Wikia do T.E.S, os redguards "são inatos no uso de armas", essa colocação já evidencia a questão do essencialismo racial, por atribuir ao nascer, uma habilidade inata para essa etnia. Mas não para por ai. Por serem baseados em populações afro - semíticas de nosso mundo, os redguards carregam em si, certos esteriótipos que errôneos sobre os povos semíticos. Os redguards parecem se dar bem com o comércio (1 esteriotipo semítico), são belicosos, e adoram guerras e lutas (2 esteriotipos semíticos). Como os nords, a criação dos redguards foi influenciada por ideias essencialistas sobre os povos semíticos, apesar de provavelmente, não ter sido a intenção dos produtores.

IGUALDADE DE GENERO

A serie T.E.S se diferencia em grande parte do legendário de Tolkien, devido a influencia de pensamentos modernos e pós modernos em sua produção. As mulheres da Terra Média, são secundárias as ações do mundo, com a leve exceção de Eowyn, enquanto em Tamriel, as mulheres assumem postos militares e políticos. Essa noção de mulheres assumindo o poder que até então era masculino, é uma influencia do pensamento moderno, em relação a igualdade de gênero. Na época de Tolkien ideias como essas já existiam, mas não possuíam ainda o poder que hoje possuem. A serie T.E.S é bastante conhecida pelo publico feminino de games, e um game onde o jogador é obrigatoriamente colocado no controle de um herói masculino, logo afastaria o gênero feminino. As mulheres guerreiras de Skyrim atraem o publico feminino e abrem espaço para debates de ideias, apesar de como podemos perceber nos últimos 2 anos, o publico de games ainda tem muito à aprender sobre igualdade de gênero

DRAGON AGE

Outro jogo, dessa vez da controversa empresa Bioware, que em sua serie de games de ficção cientifica "Mass Effect", permitiu ao jogador entrar em relações homossexuais e até mesmo realizar atos sexuais com alienígenas (isso que é progressismo!!), Dragon Age se assemelha em muito ao T.E.S em assuntos raciais. As mulheres em D.A, possuem espaço politico e militar, e liberdade em questões como casamento e sexo. No entanto, a mais construtiva analise que podemos realizar em D.A é a sua critica a ideias de superioridade racial.

O ESTRANHO, O ESTRANGEIRO E O PRECONCEITO

Distrito elfico em uma cidade de Dragon Age
Em D.A, a raça elfica foi reduzida a migrantes dentro do continente de Thedas, que vagam pelas cidades e são obrigados a viverem em "favelas". Os elfos são vistos pelos seres humanos como ameaças, por trazerem doenças para as cidades ou devido ao crime. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em seu conceito sobre o "estrangeiro", a sociedade teme tudo aquilo que não pode ser controlado por ela, tudo aquilo que se mantem a margem da sociedade, por não se integrar nesta, e não aderir aos seus costumes. Os elfos se toram o estranho na sociedade humana em Thedas, e por isso são segregados. A literatura pós segunda guerra, foi recheada por elementos contra o holocausto, e a segregação de povos. Essas ideias pós modernas, ou modernas de igualdade levaram às lutas por direitos civis nos estados unidos, lideradas por Martin Luther King e Malcom X, e o fim do Apartheid na África do Sul. Outros games como Mass Effect, The Witcher e Final Fantasy, possuem temas semelhantes, influenciados por seu contexto histórico, sociológico e filosófico.

AS CRONICAS DE GELO E FOGO

Arya Stark
Talvez a serie de fantasia mais comentada do século, a A.C.G.F, se transforam em um sucesso mundial após a sua dramatização para TV, produzida pela HBO. A serie, largamente baseada na série até pelos menos a 4° temporada, possui uma serie de temas e influencias do pensamento pós moderno em suas histórias. As mulheres de A.C.G.F, possuem um papel principal, e muitas até mesmo claramente recusam sua condição de mulher (submissa ao marido e casta), para seguir seus próprios sonhos e desejos. A mais aparente feminista da serie e a pequena Arya, que recusa seu papel de princesa para se tornar uma espadachim.



Mas em relação a questão racial? 

No mundo de A.C.G.F, aparentemente temos 3 raças conscientes - humanos, filhos da floresta e caminhantes brancos - essas raças se diferenciam em muito, apesar de serem antropomórficas. Os filhos da floresta logo nos lembram dos povos autóctones da America pré-colombo e o fato de os mesmos terem sido quase extintos pelos seres humanos, é uma influencia histórica na obra de Martin. No entanto, o mundo de A.C.G.F, está repleto de etnias e povos diferentes, que não são chamados de raças e sim "povos". O termo povo, nos denota uma diferenciação cultural e politica ao invés de uma diferenciação biológica, que o termo raça emprega. A ausência de ideias racistas, misóginas, preconceituosas e moralistas nos livros de George R.R Martin, colocam suas Histórias de fantasia, dentro do espirito pós moderno.

No próximo post analisaremos a questão racialista em Histórias de fantasias para crianças, e daremos uma breve olhada para as Histórias de ficção cientifica, como Star Wars.






Elfos, Humanos, Anões e Orcs: Histórias de Fantasia são racialistas? PARTE 1 - A "raças" de Tolkien
ADVERTÊNCIAS, LEIA ANTES DE COMEÇAR O POST!!

Já li todos os livros de Tolkien, e aprecio a sua genialidade em criar um mundo tão vasto e detalhado, tenho no meu armário de livros, suas obras em local de destaque, mas, como um pensador e um critico da realidade, devo criticar tudo a minha volta, e a obra de Tolkien não escapa. Criticas e sugestões nos comentários abaixo do Post.

Spoilers leves a seguir, nada que possa tirar a graça de ler os livros.


Ilustração mostrando as raças da terra média
Em diversos periodos, o termo "raça" recebeu uma conotação diferente. Civilizações antigas como os gregos, os romanos e povos do oriente média, viam o conceito de raça como uma ideia de tribo, ou povo. Essas civilizações não utilizavam a definição "raça" em sua característica cientifica, mas, acreditavam que "certas raças" eram superiores à outras. O conceito de raça, se manteve vivo na cultura humana, e recebeu uma conotação cientifica durante o século XIX e XX. A ideia de que os Seres Humanos se dividiam em raças e essas raças se diferenciavam até mesmo em origem, dominou o pensamento cientifico durante anos. E suas consequências podem ser sentidas até hoje. O pensamento racista foi a causa do Apartheid na Africa do Sul, do Holocausto e do tratamento desumano dado aos afro-americanos nos Estados Unidos.

Mas sera, que esse pensamento influenciou a literatura? E principalmente a literatura fantasística? Já que as histórias de fantasia são recheadas de seres fantásticos como Elfos, Orcs e Anões, que possuem características demasiadas humanas, para serem colocados apenas como uma fabricação literária? Para respondermos essa pergunta, devemos analisar a questão racial, no livro que influenciou e influencia a literatura fantástica até hoje, "O Senhor dos Anéis".

RAÇAS DA TERRA MÉDIA

Tolkien usa abertamente em seus livros o termo "raças", o que levantou já na época de publicação de seus livros (meados do século XX) ferrenhas criticas devido ao seu trato do termo raças. Tolkien se justificava, ao afirmar que não estava tratando de seres humanos, e sim de criaturas mágicas. Sera mesmo? Em mais de uma vez em seus livros, Tolkien também utiliza o termo raça, para designar tipos diferentes de humanos, classificando qualitativamente essas raças. Por exemplo, os homens vindos de Numenor, são qualitativamente superiores aos homens comuns da terra média. Um pode dizer que Tolkien estava tratando de um mundo diferente, ou utilizando uma terminologia própria para o mundo, já que os homens da terra média acreditariam em raças. Mas, como todo bom fã de Tolkien sabe, seu trabalho visiva criar uma história alternativa para a Terra. A Terra Média é o mundo antes do mundo. Então, classificar seres humanos como divididos em raça, é um continuísmo das ideias raciais oitocentistas.

Os seres humanos da Terra Média, são demonstrados nos livros, como brancos, e marcadamente caucasianos. Na história em determinados momentos, ouvimos falar de outras "raças" de homens, como os orientais e os sulistas. Os orientais são caracterizados como "maus", e os do sul igualmente. Nesse momento um não pode negar pelas similaridades, de que a Terra Média é a Europa, e atribuir uma "maldade" aos povos orientais, e continuar com esteriótipos típicos, segundo uma visão eurocêntrica. Os homens do sul, ou de Harad, são mostrados como negros, e até constantemente são chamados de "Numenorianos Negros". No filme de Peter Jackson, podemos ver uma continuidade desses esteriótipos, veja as imagens abaixo. Tolkien está claramente, de forma proposital ou acidental, continuando as ideologias de raça em suas histórias. Tolkien no prefácio de o senhor dos anéis, se defende dizendo que seu trabalho não é uma alegoria do mundo de sua época, e nada tem relação com o mundo real. Orás caro Tolkien! Todos os homens são frutos de seu tempo, assim como G.R Martin criou uma fantasia contemporânea, o senhor também criou. Durante a escrita dos livros de Tolkien, o pensamento racista, ainda era forte na Europa.


ANÕES

Caricatura esteriotipada de um judeu
se assemelhando aos anões de Tolkien 
Os anões em "O Senhor dos Anéis" são uma clara caricatura dos povo Judeu. Expulsos de sua montanha em "O Hobbit", os anões buscam retoma-lá do impiedoso dragão Smaug. Os anões são apresentados como seres baixos, narigudos e barbudos, uma imagem tipicamente e prejudicialmente associada aos Judeus. O anões de Tolkien, são apaixonados pelo Ouro e pedras preciosas, e parte de seu sofrimento advém de sua cobiça por esses materiais, outro paralelo com os Judeus, que eram associados às instituições bancárias e financeiras. Tolkien pode não ter tido a intenção de criar tal caricatura, mas claramente o mesmo foi influenciado por seu tempo.




ELFOS

Galadriel, uma alta elfa
Os elfos da terra média, assim como os humanos, se dividem em várias "raças". Temos os altos elfos, com sua aparência quase translucida, com cabelos loiros e pele alva, uma aparência marcadamente "germânica" ou nórdica. E os elfos comuns como Elrond, com cabelos pretos e pele branca, mas não alva. Pode parecer apenas uma escolha aleatória ou prática, colocar os seres mais desenvolvidos da Terra Média, como brancos e loiros, mas se esconde ai uma ideia de "raça superior", bastante problemática. Tolkien, um europeu e ingles, estava afundado no eurocentrismo daquela época, quando a Europa ainda reinava absoluta no mundo, e as características físicas dos elfos, não é mera coincidência.


HUMANOS

Aragorn, um numenoriano nascido para reinar
Como mencionado acima, os Seres Humanos da Terra Média, se dividem em raças. Essas raças são tratadas por Tolkien de forma qualitativa. Os Numenorianos, vivem mais tempo e basicamente parecem herdar uma capacidade inata para reinar, já que somente eles podem "salvar os homens" que sem seus lideres são inúteis. Mas, a maior evidencia de um continuísmo racial nos livros de Tolkien, e a sua caracterização de outros povos. Negros e orientais no mundo de "O Senhor dos Anéis", são maus e facilmente corruptíveis.



ORCS

Orc com vestimenta tipicamente mongol
Para finalizar temos os orcs, a escória da Terra Média, a mais baixa criatura já criada. Os orcs no mundo de Tolkien, são os capachos naturais de qualquer um que queira dominar a Terra Média, de Morgoth à Saruman. Na trilogia cinematográfica os orcs foram demonstrados como monstros deformados e horripilantes, mas note como Tolkien define as características físicas dos orcs em uma de suas cartaz, segue a versão traduzida por mim.

"Baixos, largos, narizes chatos, pálidos, com bocas largas e olhos puxados; em fato versões degradadas e repulsivas dos tipos menos amados (para europeus) dos tipos mongóis".(CARTA 210)
Essas definição aberta de Tolkien, contradiz seu argumento de o mesmo não foi influenciado pelo mundo de sua época, e nem por idéias racistas.

Desconstruindo a brasilidade em argumentos rápidos

O que é ser brasileiro? O que é a tal da "brasilidade". Como podemos nos autodenominar um povo, se existem tantas expressões culturais distintas? Vamos desconstruir a brasilidade, e chegar ao fundo disso.

ÍNDIOS

Tribo Indígena
A cerca de 500 anos, o território onde hoje se encontra a República Federativa do Brasil, era outra coisa. Uma terra habitada, mas não por brasileiros e brasileiras, e sim, por diversas comunidades indígenas diferentes. Essas comunidades possuíam alguns atributos linguísticos e culturais semelhantes, mas se distinguiam politicamente. Portanto, nem mesmo antes da chegada dos europeus, existia um povo "indígena". O mais correto seria dizer, que existia uma miscelânea de povos e sociedades.

PORTUGUESES

Chegada dos portugueses ao Brasil. Além de outras falacias
cometidas por esse quadro, o mesmo nos da a impressão
de que os portugueses eram todos iguais.
Os portugueses que aqui chegaram, no inicio do século XVI, poderiam ser agrupados em uma etnia? Provavelmente não. O local onde se localizava e se localiza Portugal, foi durante milhares de anos, terra de diversas tribos e civilizações. Por lá pisaram celtas, latinos, fenícios, gregos, germânicos e nórdicos. O povo português, já em 1500, era tão diverso geneticamente e etnicamente, quanto o Brasil de hoje.



AFRICANOS

Moças de uma tribo africana
Trazidos para cá como mão de obra escrava, os africanos eram culturalmente diversos, e aliás, nem deveriam ser chamado pelo termo genérico de "africanos". Alguns desses indivíduos trazidos, eram membros de tribos, outros de reinos, e alguns eram até mesmo príncipes e reis. Então dizer que foi trazido um povo "africano" para o Brasil, e que ele hoje em dia compõem parte da brasilidade, é falacioso.






A UNIÃO DOS TRÊS POVOS?

A união desses três povos, daria origem ao povo brasileiro? A resposta é não. Durante os séculos XIX e XX, o Brasil recebeu centenas de milhares de imigrantes, vindos das mais variadas partes do mundo, europeus, orientai, entre outros. Esses povos constituirão o que hoje chamamos de brasilidade, e ajudaram a construir uma cultura brasileira, que nada mais é que a junção de centenas de culturas diferentes.

Apesar de hoje falarmos português, linguá do reino de Portugal, que colonizou nosso país, outras linguás ainda são faladas no território nacional, inclusive linguás indígenas. O português é a linguá mais falada, devido ao caráter dominante dos portugueses, durante a maior parte da História brasileira, assim como a religião católica cristã. No entanto, países como os Estados Unidos, Inglaterra e França, influenciam o brasil culturalmente e socialmente, agregando ainda mais conteúdo "exterior" à dita brasilidade.

Portanto, podemos perceber que não existe um povo brasileiro no sentido literal. A brasilidade é uma mistura de culturas e conceitos, que caracteriza os nascidos aqui. Não somos iguais geneticamente, mas dividimos uma história similar, e possuímos alguns traços culturais similares. O Brasil assim como quase todos os países, foi formado por uma multitude de povos e culturas. Alemães e ingleses, franceses e espanhóis, americanos e suíços, todos esses grupos surgem da mistura de diversas culturas, povos e sociedades.

Concluindo, qualquer forma de preconceito e irracional, como é irracional tentar criar um "povo" através de "povos". Algo tão diverso como as sociedades humanas, não deve ser caracterizado como algo simples e imutável, somos hoje brasileiros, assim como os romanos, foram um dia romanos. E hoje quem é romano?



Deus existe? Uma análise sobre o mito do deus Judaico-cristão - Parte 3 (final)

Nos posts anteriores, no focamos na história e na fundamentação do deus judaico-cristão, suas origens semíticas, e suas influencias diversas. Mas, não podemos encerrar essa análise sem explorar as descobertas cientificas que colocarem em cheque não somente a existência do deus judaico-cristão, mas a de todos os seres divinos imaginados pela mente humana.

EVOLUÇÃO

Variações de besouros; todos possuem um ancestral em comum
A teoria da evolução das especies, postulada por Charles Darwin no século XIX, abalou as estruturas da fé religiosa, devido ao seu caráter. A teoria da evolução, demonstrou que os organismos evoluem através da seleção natural, causada pela adaptação ou não à um ambiente. Durante o século XX, outras descobertas cientificas como o DNA, e o modo como os caracteres hereditários genéticos funcionam, somente acrescentaram mais peso a teoria de Darwin.

A evolução contradiz a religião Judaico-cristã em muitos pontos, mas principalmente em relação a origem dos seres vivos, e quando a vida teria surgido. Diferentemente de um Jardim do Éden, criado a cerca de 6000 atrás com todas as especies existentes hoje presentes, e imutáveis. As evidencias nos mostram que a terra tem mais de 4 bilhões de anos, e a vida cerca de 2 bilhões de anos. Ademais, novas pesquisas demonstram que os componentes básicos para a vida, são formados em nebulosas.

NEUROCIÊNCIA

Estudos recentes em Neurociência, demonstram que o pensamento religioso possa ser apenas um "efeito colateral" de mecanismos neurais direcionados a vida em grupo. Aqui nesse Blog, já falamos sobre o tema da Teoria da Mente, clique aqui e veja o post.

ASTRONOMIA

Ondas de rádio provenientes do Big Bang
A existência de planetas fora do sistema solar, já seria o bastante para contradizer a bíblia, orás! O simples fato de a terra girar, já contradiz a bíblia. Mas, a Cosmologia, a Astronomia e a Física, não para de encontrar novas evidencias contrárias a existência de deus.

À partir das informações listadas aqui, espero ter contribuído para o debate sobre a existência de deus. Quero demonstrar, que os argumentos religiosos, são frágeis quando expostos a evidencias cientificas. Inúmeros outros argumentos podem ser analisados, mas, se comentasse sobre os mesmos aqui, levaria muito tempo, e afinal, essa já é a parte 3 de um post, que inicialmente seria um só. Agradeço a todos aqueles que leram, e fiquem atentos a novos post sobre o tema religião, pois postarei outras discussões, e outros argumentos. Até lá!

O Teste de Bechdel: Detector de machismo literário?

Estratigrafia Cultural: A Relação entre Culturas

MITOS MODERNOS: ALIENÍGENAS - DA COSMOLOGIA ANTIGA À COSMOLOGIA ATUAL

Histórias de Fantasia são Racialistas? Parte Final - "Disney: O Mundo Encantado do Racismo"

Mitos Modernos - "A Revolução das Maquinas"

Os seres "invisíveis" - Uma dissertação sobre a condição do ser "mendigo" (Alerta de Sarcasmo)

Histórias de Fantasia são racialistas? PARTE 2 - A influencia do pós moderno na fantasia

Elfos, Humanos, Anões e Orcs: Histórias de Fantasia são racialistas? PARTE 1 - A "raças" de Tolkien

Desconstruindo a brasilidade em argumentos rápidos

Deus existe? Uma análise sobre o mito do deus Judaico-cristão - Parte 3 (final)